Medo das vésperas
Eu fico fritando com tudo
— Bom dia, flor do dia. Já estava indo te chamar. Acabei de passar café. Tem cuca de goiabada, queijo do Tio Ari, ovo de galinha feliz.
— Tá, mas primeiro uma água com limão.
— Não dá azia?
— Não, não dá, faz até bem pro sistema digestivo.
— Hum.
— Dormiu bem, mãe?
— Dormi. Tão pesado que nem acordei com a chuva que molhou a rua mais cedo.
— Eu também, mas tive que cantar a música dos dez indiozinhos para pegar no sono.
— Capaz, eu deito e durmo.
— Pra mim, depende. É mais difícil naqueles noites antes de um evento ou uma viagem importante.
— Quando viajo, a única coisa que me incomoda é ter que colocar o despertador para gritar mais cedo do que o normal.
— Tu é privilegiada. Eu fico fritando com tudo, principalmente com os perrengues que podem acontecer.
— Mas tu é organizada, sempre dá tudo certo.
— Não são só essas coisinhas transformadas em check list que me preocupam.
— Que que é então?
— Ah, uma nova pandemia, por exemplo. Ou os atentados de guerra, a morte de alguém, a chuvarada prometida pelo El Niño que, se não levar tudo embora, pode acabar deixando todo mundo ilhado fora ou dentro de casa.
— O problema é que tu assiste muito filme de tragédia. Também tem aqueles de fim do mundo, de zumbi. Essas coisas se enfiam na cabeça e acabam te traumatizando.
— Mas, mãe, a realidade já não tá suficientemente ruim pra nos presentear com o medo das vésperas?
— Não, o problema são os filmes, andam muito pesados. Melhor assistir novela. Quer um ovinho mexido?
No curso de teatro, estamos adentrando o mundo dos trolls, do norueguês Henrik Ibsen. É muito divertido rolar feito pedra, querer comer todo mundo e, ainda, fazer paródia com o clássico do pagode, Cheio de Manias.
Estou apaixonada por uma mulher e ela se chama Dinorah, quer dizer, Alice Carvalho. Até em período de IR2026 ela nos ensina como declarar, de forma correta, a origem do nosso dinheiro.
Venho escrevendo sobre um certo rio e, através da pesquisa por cenas aquosas, descobri que capivarinhas são muito graciosas entrando na água.
Acabei de realizar um sonho nascido e criado a partir desse hino do Chrystian e Ralf que embalou a minha infância bem sertanejona no interior:
A mais temida… A mais desgraçada… A mais insuportável… CHEGOU. Ela, a primeira umidade do ano, que deixa as casas do Rio Grande do Sul com pisos molhados, paredes chorando e mofo para todo lado.
Estou na luta para conseguir comprar uma nova cafeteira para a repartição pública. Vaquinha com a galera está fora de cogitação, então, depois de enviar muitos e-mails vendendo a minha alma por R$ 201,00, consegui o recurso com um conhecido de outro departamento. Agora, com o valor da compra em mãos, descobri que o fornecedor do equipamento está prestes a ser processado por não fazer o mínimo. Socorro, DEUS?
Perrengues chiques ainda são perrengues. Dito isso, vou reclamar dos assentos de avião cada vez menores, dos calos nos pés por achar que vinte quadras é pouca coisa e por não ter um estômago maior para conseguir comer todos os pontos salvos no google maps antes de viajar.
Canção para ninar menino grande (Conceição Evaristo) - um coração dividido entre muitas mulheres.
Asma (Adelaide Ivánova) - ela era vaca era história era um mundo todo do início ao fim.
Women holding things (Maira Kalman) - haja braço para tanta coisa para carregar.

Realizar um sonho e desembarcar correndo para o próxima obsessão.
O áspero das faltas é meu primeiro livro e foi indicado ao Prêmio Jabuti 2025. Além de chique e gostosinho de ler, ele ficará belíssimo na sua estante. Você pode comprá-lo aqui ou falando diretamente comigo pelo Substack ou Instagram.
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Tb to apaixonada por Alice Carvalho, por conta de sua Morena, no recém chegado “sessão de terapia”. Ah que saudade me deu de minha vó dizendo “bom dia flor do dia” ❤️
O negócio é que os primeiros transportes da vida (colos e carrinhos de bebê) são muito perfeitos, aí a gente fica mal acostumado (você me deixoooouu, mal acostumado, com o seu amo oor...), ou será que é a ganância das companhias aéreas mesmo -_^